10/10/13

Apresentação das Actividades Centro Académico Santo António 2013/14


Este post é só um "rascunho" para o vídeo poder ser consultado antes de ser divulgado pela CASA.

10/06/11

A humildade

Continuando a dar a conhecer Leonardo Coimbra (para mim, o maior filósofo português do séc. XX), aqui vai mais um excerto... desta vez sobre a humildade, essa esquecida que nos faz tanta falta...

Ser humilde é ter a luz dos olhos para as cegueiras que nos cercam, lume para os que a ventania esfarrapou, pão para as bocas da fome; é ter a porta aberta aos vagabundos do mistério.

Ser humilde é também comer o pão que a mão amiga nos estende, pôr o nosso carinho no calor dos outros lares; é levar pelo infinito, a nossa consciência, a tornar humana luz, a fria luz do Espaço.

Ser humilde é escutar atento as palavras que as outras almas dizem; de ouvido em terra, saber ouvir o correr das águas; em suspenso, sentir em nós o tumultuar da vida, alongar-se a alma, crescer, subir, palpar, sob a palavra que os lábios ergue, o infinito frémito do que não foi dito.

Ser humilde é viver a vida diante de Deus, em plena e total comunicação com o que existe; é pôr a comoção dos grandes acontecimentos no episódio mais insignificante; é apagar a banalidade da face do Ser e dar a cada instante, que passa, a presença do infinito que o anima.

É nesta humildade, neste cósmico cristianismo activo, que o fenómeno toca a essência e o tempo se tinge de eternidade.
Leonardo Coimbra, in A Alegria, a Dor e a Graça

09/06/11

Deixando a amargura

"It's one thing to be sinned against, and it's another to respond sinfully. Our response is our own responsibility. My bitterness was my own sin."

22/05/11

Excerto de artigo de Leonardo Coimbra

Algures Vítor Hugo chamou à pena de morte uma amputação bárbara; o egoísmo social em nome do senso prático é uma amputação besta.
Sonhar quimeras é trabalhar realidades futuras. Amar o Universo é perscrutá-lo, estudá-lo, preparar uma revelação. A indiferença é o crime máximo. O sentimento é a mais poderosa alavanca do homem. Pensar sentindo é cumprir, realizar. Olhar o problema social com o cérebro é resolvê-lo em possibilidade, senti-lo com o coração é resolvê-lo em realidade.
A chama do pensamento extingue-se, se não a atiça um grande anseio de alma. Um Newton que descobrisse a lei da gravitação social precisaria um Cristo, que a traduzisse na linguagem do Amor.

Leonardo Coimbra, Guerra Junqueiro, 14-05-1906

17/07/09

Caritas in veritate

Alguns extractos:

1. O amor é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. [...] Todos os homens sentem o impulso interior para amar de maneira autêntica: amor e verdade nunca desaparecem de todo neles, porque são a vocação colocada por Deus no coração e na mente de cada homem. Jesus Cristo purifica e liberta das nossas carências humanas a busca do amor e da verdade e desvenda-nos, em plenitude, a iniciativa de amor e o projecto de vida verdadeira que Deus preparou para nós. Em Cristo, a caridade na verdade torna-se o Rosto da sua Pessoa, uma vocação a nós dirigida para amarmos os nossos irmãos na verdade do seu projecto.


Quando será que eu aprendo (ou volto a reaprender, talvez?) a amar assim? A olhar para os outros à minha volta com a consciência de que a verdade profunda sobre eles é que foram criados por amor. Para o amor. Para serem uma benção e uma fonte de felicidade e de alegria, de ajuda e de amizade uns para os outros.

3. Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal.


5. O desenvolvimento, o bem-estar social, uma solução adequada dos graves problemas sócio-económicos que afligem a humanidade precisam desta verdade. Mais ainda, necessitam que tal verdade seja amada e testemunhada. Sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a actividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globalização que atravessa momentos difíceis como os actuais.


7. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. [...] Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidade reais. Todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis.


9. O risco do nosso tempo é que, à real interdependência dos homens e dos povos, não corresponda a interacção ética das consciências e das inteligências, da qual possa resultar um desenvolvimento verdadeiramente humano. Só através da caridade, iluminada pela luz da razão e da fé, é possível alcançar objectivos de desenvolvimento dotados de uma valência mais humana e humanizadora. A partilha dos bens e recursos, da qual deriva o autêntico desenvolvimento, não é assegurada pelo simples progresso técnico e por meras relações de conveniência, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (cf. Rm 12, 21) e abre à reciprocidade das consciências e das liberdades. [...] Sem verdade, cai-se numa visão empirista e céptica da vida, incapaz de se elevar acima da acção porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. [...] Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável.


11. Muitas vezes, ao longo da história, pensou-se que era suficiente a criação de instituições para garantir à humanidade a satisfação do direito ao desenvolvimento. Infelizmente foi depositada excessiva confiança em tais instituições, como se estas pudessem conseguir automaticamente o objectivo desejado. Na realidade, as instituições sozinhas não bastam, porque o desenvolvimento humano integral é primariamente vocação e, por conseguinte, exige uma livre e solidária assunção de responsabilidade por parte de todos. Além disso, tal desenvolvimento requer uma visão transcendente da pessoa, tem necessidade de Deus: sem Ele, o desenvolvimento ou é negado ou acaba confiado unicamente às mãos do homem, que cai na presunção da auto-salvação e acaba por fomentar um desenvolvimento desumanizado.


14. Contra a ideologia tecnocrática, hoje particularmente radicada, já Paulo VI tinha alertado, ciente do grande perigo que era confiar todo o processo do desenvolvimento unicamente à técnica, porque assim ficaria sem orientação. A técnica, em si mesma, é ambivalente. Se, por um lado, há hoje quem seja propenso a confiar-lhe inteiramente tal processo de desenvolvimento, por outro, assiste-se à investida de ideologias que negam in toto a própria utilidade do desenvolvimento, considerado radicalmente anti-humano e portador somente de degradação. Mas, deste modo, acaba-se por condenar não apenas a maneira errada e injusta como por vezes os homens orientam o progresso, mas também as descobertas científicas que entretanto, se bem usadas, constituem uma oportunidade de crescimento para todos. A ideia de um mundo sem desenvolvimento exprime falta de confiança no homem e em Deus. Por conseguinte, é um grave erro desprezar as capacidades humanas de controlar os extravios do desenvolvimento ou mesmo ignorar que o homem está constitutivamente inclinado para « ser mais ». Absolutizar ideologicamente o progresso técnico ou então afagar a utopia duma humanidade reconduzida ao estado originário da natureza são dois modos opostos de separar o progresso da sua apreciação moral e, consequentemente, da nossa responsabilidade.

29/01/09

Hillaire Belloc

Poema do escritor inglês de origem francesa Hillaire Belloc. Um poema com um lado profético, dado que foi publicado em 1928.

Our civilization
Is built upon coal.
Let us chant in rotation
Our civilization
That lump of damnation
Without any soul,
Our civilization
Is built upon coal.

In a very few years,
It will float upon oil.
Then give three hearty cheers,
In a very few years
We shall mop up our tears
And have done with our toil.
In a very few years
It will float upon oil.

26/11/08

Cora Coralina (poetisa brasileira)

NÃO SEI

Não sei... se a vida é curta...
Não sei... 
Não sei...
se a vida é curta 
ou longa demais para nós. 
Mas sei que nada do que vivemos 
tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. 
Muitas vezes basta ser: 
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silêncio que respeita, 
alegria que contagia, 
lágrima que corre, 
olhar que sacia, 
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo: 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela 
não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa, 
verdadeira e pura... 
enquanto durar.


POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…


15/09/08

O Reino de Deus

No seu livro O Reino de Deus está próximo, João César das Neves analisa a história da humanidade do ponto de vista da nossa relação colectiva com Deus, desde a alta idade média aos nossos dias. Nessa sua análise inclui, para cada século, uma obra que de alguma forma reflecte e resume o essencial desse século. Para o século XX escolheu o filme Jurassic Park.

Ao contrário das outras escolhas, não acho que tenha sido uma escolha certeira. Na minha opinião pessoal escolheria 3 obras diferentes para resumir o espírito do século XX: O Senhor dos Anéis, A Guerra das Estrelas e o Harry Potter. Se tivesse de reduzir-me a uma única escolha seria O Senhor dos Anéis.

Um dos aspectos que une claramente estas três obras é a luta entre o bem e o mal. Aqui há matizes muito diferentes entre as três obras, mas todas reflectem muito claramente a nossa história colectiva do último século. É impossível não reconhecer na Estrela da Morte de Darth Vader a bomba atómica, não reconhecer no racismo dos Devoradores da Morte puros-sangue o racismo nazi, não reconhecer nos estados de alma dos membros da Irmandade do Anel arrancados do Shire para se embrenharem em Mordor os estados de alma dos soldados da Segunda Guerra Mundial arrancados aos campos ingleses para irem combater nos cenários devastadores das trincheiras. E esta é uma questão que também resume o essencial do espírito do nosso tempo. Depois das guerras mundiais passou a ser completamente impossível a noção ingénua de progresso, em que o futuro seria sempre melhor, e a única razão dos males do passado era o atraso tecnológico e a pobreza material. Tornou-se evidente, excepto para alguns cegos voluntários, que o mundo é e continuará a ser o palco de uma luta gigantesca entre o bem e o mal.

Outro aspecto que une estas três histórias é a magia, algo que pode parecer estranho para resumir a essência de uma época tão tecnológica e tão pouco dada ao espiritual, ao transcendente e mesmo ao fantasioso. Mas no fundo, e como se vê claramente na inspiração genial de George Lucas, a tecnologia é apenas uma tentativa diferente de fazer magia. Por mais computadores, lasers, e automatização que tenhamos; o que queremos, no fundo, é obrigar a matéria a obedecer à nossa vontade. Se existir uma força a dominar o mundo nós queremos ser capazes de controlá-la a nosso bel-prazer. O mesmo se passa com o Harry Potter. As histórias são interessantes exactamente porque teria muito mais piada se tivessemos uma varinha e pudessemos mudar o mundo com um feitiço e um agitar da varinha. Em relação ao Senhor dos Anéis, tenho que tirar o chapéu ao Tolkien, porque acho que ele conseguiu levar a história muito mais fundo, colocar realmente o dedo na ferida, e a magia do Senhor dos Anéis faz-nos reflectir muito mais e chegar a conclusões muito diferentes das outras duas obras.

George Lucas consegue fazer-nos pensar na origem do mal (quando vemos o pequeno Anikin, um puto engraçadíssimo, que seguramente nenhum de nós imaginou ao ver a personagem do Darth Vader da trilogia filmada antes) e no que pode causar a reabilitação, o regresso ao bem (a cena final em que Darth Vader dá a vida para salvar o filho).

J. K. Rowling consegue, de forma mais "infantil" (à falta de adjectivo melhor), fazer-nos pensar um pouco no poder salvífico do amor. E na camaradagem. E na origem do mal com os flashbacks sobre a origem de Voldemort. E na morte, que é o grande tabu dos nossos dias, sobretudo em livros para um público infantil/juvenil. E também, através sobretudo de Dumbledore, fazer-nos pensar sobre a paternidade e sobre a misericórdia.

Mas Tolkien leva-nos muito mais longe. Cada vez que o releio encontro novos significados. Tolkien conseguiu encontrar novas formas de exprimir verdades antigas, de forma que se tornam perceptíveis para a grande maioria de uma população cristã de rótulo mas neo-pagã na essência. Podia ficar aqui a elencar os inúmeros simbolismos cristãos da obra. Mas vou apenas chamar a atenção para 3 coisas. A primeira é a tripla representação de Cristo nos seus três atributos de Sacerdote, Profeta e Rei, respectivamente Frodo, Gandalf e Strider. A segunda é a verdade que o mal não pode ser vencido pela força, é demasiado forte e demasiado extenso para isso. Mas o mal acaba por destruir-se a si mesmo. Foi o que aconteceu ao ser destruído o anel na lava. E foi o que aconteceu na cruz de Cristo. A brutalidade dos guardas, o calculismo de Pilatos, a hipocrisia dos fariseus, a traição de Judas, a cobardia dos outros apóstolos, a indignidade de Herodes, a ingratidão da multidão são uma manifestação extremamente clara do mal. E culminou na derrota desse mal, que nunca poderia ter sido tão completa sem essa manifestação em toda a sua força. E foi o que aconteceu no nosso século: as guerras mundiais foram consequências de nacionalismos parvos que já existiam há alguns séculos, mas que nunca se tinham manifestado em toda a sua força e maldade. E foi depois dessa manifestação do mal em toda a sua força que foi possível escrever a declaração dos Direitos do Homem, lançar as bases da União Europeia, começar a tratar os judeus como nossos irmãos. Finalmente, o anel é um símbolo perfeito da luta que vivemos: só podemos realmente atingir a vitória quando desistirmos do poder do anel. Quando desistirmos de ter o poder. Porque o que mais caracteriza este século que passou, na relação da humanidade com Deus, e por conseguinte na própria história da humanidade foi o regresso em toda a pujança da tentação antiga: Sereis como Deuses. O nazismo, o comunismo, as guerras mudiais, a guerra fria, as outras guerras mais pequenas e as tragédias em pequena escala que acontecem em cada família, em cada escola, em cada local de trabalho, em cada alma, geralmente têm a ver com isto. Queremos o poder de transformar o mundo à nossa vontade. Na ilusão de que isso nos faria felizes. Não faz. Faz com que nos destruamos uns aos outros fisicamente, e que nos destruamos a nós próprios no nosso interior.

O que nos faz felizes é outra coisa. É a doação genuína e generosa de nós próprios. E é o acolhimento do dom que os outros nos fazem a nós. A felicidade não se conquista, acolhe-se.

Estou aqui Senhor, quero ser feliz. Se vai ser preciso aceitar que passes a ser Tu a controlar a minha vida e a fazer-me feliz, ajuda-me que isto não vai ser fácil.

Venha a nós o Vosso Reino! Que as nossas vidas se transformem no plano de Amor que Tu tens para nós, em vez de serem esta batalha fraticida em que nos envolvemos aos tentarmos concretizar cada qual os seus planos pessoais. Que sejamos capazes de aceitar que o Rei és tu, e não nós.

15/05/08

G. K. Chesterton

Now the whole parable and purpose of these last pages, and indeed of all these pages, is this: to assert that we must instantly begin all over again, and begin at the other end. I begin with a little girl's hair. That I know is a good thing at any rate. Whatever else is evil, the pride of a good mother in the beauty of her daughter is good. It is one of those adamantine tendernesses which are the touchstones of every age and race. If other things are against it, other things must go down. If landlords and laws and sciences are against it, landlords and laws and sciences must go down. With the red hair of one she-urchin in the gutter I will set fire to all modern civilization. Because a girl should have long hair, she should have clean hair; because she should have clean hair, she should not have an unclean home: because she should not have an unclean home, she should have a free and leisured mother; because she should have a free mother, she should not have an usurious landlord; because there should not be an usurious landlord, there should be a redistribution of property; because there should be a redistribution of property, there shall be a revolution. That little urchin with the gold-red hair, whom I have just watched toddling past my house, she shall not be lopped and lamed and altered; her hair shall not be cut short like a convict's; no, all the kingdoms of the earth shall be hacked about and mutilated to suit her. She is the human and sacred image; all around her the social fabric shall sway and split and fall; the pillars of society shall be shaken, and the roofs of ages come rushing down, and not one hair of her head shall be harmed.

(G.K.Chesterton, What's wrong with the world)

29/04/08

Ef 2, 19-20

Portanto, já não sois estrangeiros nem imigrantes, mas sois concidadãos dos santos e membros da casa de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus.

Portanto - porque Jesus aboliu a distância que nos separava de Deus; Jesus trouxe Deus ao mundo. Antes disso éramos estrangeiros, não estávamos no nosso lugar.
A nossa morada e a nossa pátria é o Céu. A nossa família é a comunhão dos santos.
Somos concidadãos dos santos, uma comunidade invisível que atravessa o tempo e o espaço; recebemos uma quantidade de irmãos que nos é desconhecida, mas que é avassaladora, impressionante!
Já não somos estrangeiros! Já não somos estrangeiros porque a distância entre o céu e a terra foi destruída. A nossa casa é o Céu. Mas é o Céu na terra.
Nenhum de nós nunca está sozinho. Estamos sempre diante uma multidão de irmãos, de amigos, de concidadãos. A nossa enorme, gigantesca, alegre, maravilhosa família do Céu. É lá a nossa casa. Uma casa que somos nós, que é feita de nós, da nossa comunhão.
O Pai Nosso é a primeira expressão clara do novo alcance desta fraternidade universal. Antes disto ninguém se atrevia a chamar papá a Deus. Deus estava longe. Isso acabou. Deus está connosco. E nós estamos em família com Ele.

26/03/08

Citação de C. S. Lewis (via Happy Catholic)

Happy Catholic: Well Said
To love at all is to be vulnerable… If you want to make sure of keeping your heart intact, you must give your heart to no one, not even to an animal. Wrap it carefully round with hobbies and little luxuries; avoid all entanglements; lock it up safe in the casket of your selfishness. But in that casket -- safe, dark, motionless, airless -- it will change. It will not be broken -- it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable… The only place outside of Heaven where you can be perfectly safe from love is Hell.

C.S. Lewis

18/05/07

27/05/06

A vida da cidade que já não é (incompleto)

Ora bem... então vamos lá arregaçar as mangas, agora que o mês está quase a acabar, que as contabilidades que tinham de ser entregues antes do fim do mês estão prontas, e que o stress abrandou um pouco.
Aproveitando um artigo muito bem escrito no verão passado e que coloca o dedo na ferida, aquilo de que eu gostava de escrever é sobre o sentido da vida, que hoje é algo de que simplesmente não se fala, não se escreve...



A VIDA DA CIDADE QUE JÁ NÃO É

Nova Orleães já não é. Uma cidade inteira, das mais simbólicas e ricas do mundo, desapareceu debaixo do desastre esmagador. De um dia para o outro, a terra do calor e ritmo, a combinação única de culturas, a personalidade incomparável deixou de ser. The Big Easy já não há.

Será certamente reconstruída, mas a nova Nova Orleães nunca será a velha Nova Orleães. Os novos sítios não substituirão os antigos recantos. O cheiro da tinta fresca cobrirá três séculos de História. Sobretudo, as vidas perdidas que deram vida à velha Nova Orleães nunca mais regressarão. A nova Nova Orleães será certamente grande e bela, terá certamente calor e ritmo, mas não será mais Nova Orleães. Nova Orleães já não é.

Perante o desastre, a cultura mediática entrega-se à tarefa mais ociosa e inútil denunciar responsáveis e ralhar com culpados. Faz assim em todos os desastres naturais. Nos fogos florestais portugueses, como no tsunami natalício do Índico ou no furacão de Nova Orleães. A culpa é dos ministros, dos interesses económicos, dos presidentes da câmara ou dos presidentes nacionais. O Governo tem culpa da seca, do envelhecimento, da desertificação. Perante a calamidade, discute-se política e exigem-se meios técnicos. Como se isso fosse a causa e a solução. Claro que houve erros e faltam recursos. Claro que se exigem reforços e novas medidas. Mas há algo que vai muito para lá disso tudo.

Esquecem que, por melhores que sejam os detectores de maremotos ou furacões, por mais fortes que sejam os diques ou os bombeiros, por mais que limpemos as matas ou compremos aviões, há uma dimensão irredutível e inelutável na nossa vulnerabilidade. O poder humano é minúsculo perante a catástrofe.

Plínio e todo o Império Romano ficaram chocados com a destruição de Pompeia em 24 de Agosto de 79. Voltaire e todo o Iluminismo ficaram chocados com a destruição de Lisboa em 1 de Novembro de 1755. Agora todos ficámos chocados com a destruição de Nova Orleães em 29 de Agosto de 2005. Vulcões, terramotos, furacões. Não melhorámos muito em dois mil anos. Quando a nação mais rica e poderosa de todos os tempos perde uma das suas grandes cidades em poucas horas, tem de haver algo muito para lá disto tudo.

O que há para lá disso é a suprema estupidez de perder uma cidade em poucas horas. Toda a beleza, toda a elevação e elegância, todo o fervilhar e animação, todo o calor e ritmo, toda a vida de Nova Orleães já não é. Esta é a suprema estupidez que fica para lá de todos os debates. Mas esta estupidez é a estupidez de toda a vida. O que aconteceu a Nova Orleães em poucas horas é o que acontece a todas as cidades ao longo do tempo. A velha Roma já não é, tal como a velha Pompeia. A velha Lisboa já não é, a de ontem como a de 1754. Os que morrem pacificamente hoje nas suas camas não são, tal como Nova Orleães. A suprema estupidez é a perda, a mudança, o fim a que tudo está sujeito. Nada há mais certo que a morte. Subitamente ou devagar; e por vezes a agonia lenta é ainda mais estúpida que a súbita. O fim é a suprema estupidez de toda a vida.

Mas o sentido de tudo advém da sua finalidade, tal como a razão da viagem é o destino. A perda e o sofrimento ganham significado pelo que vem depois. A horrível dor de parto justifica-se pelo nascimento. O cirurgião que amputa não é estúpido, porque salva o corpo todo. O semeador que enterra comida não é tonto, porque ela germina. A morte só é estúpida se nada vier depois. Vista apenas do lado de cá, a vida é estúpida porque morre. Vista a partir daquilo em que morte a transforma, a vida ganha sentido. Como a semente.

Todos os tempos, todas as culturas, sempre compreenderam que a vida, toda a vida, só tem sentido quando vista depois da morte. Quer o fim seja lento, quer súbito, como Nova Orleães, a vida só ganha sentido quando ultrapassa a morte. Esta é uma verdade universal, presente em todas as culturas. Todas, menos esta estúpida cultura mediática que vê desaparecer Nova Orleães sem perceber para onde ela foi.

Publicado no Diário de Notícias, em 12/09/2005, por João César das Neves




A nossa cultura contemporânea é, nestes assuntos, "estúpida" e "ridícula", simplesmente porque foge de encará-los.
Ao contrário do que acontecia há algumas gerações atrás as pessoas já não morrem em casa, rodeadas pela família; o mais comum é morrerem no hospital, muitas vezes acompanhadas apenas do pessoal médico.
Um grande amigo meu uma vez disse que "da forma como encaramos a morte, depende a forma como vivemos a vida". Isto é uma verdade enorme, e a atitude que a maioria de nós tem hoje, em relação à morte, é simplesmente ignorá-la o mais possível. Tentamos passar a imagem de sermos uma geração sem tabus... quando a realidade é que somos uma geração com tabus diferentes das gerações anteriores. Deixámos de ter tabus relativamente ao sexo, à política, ... mas deixámos de falar da morte.

(a acabar quando tiver tempo...)

12/05/06

Balanço

Bem... tenho de confessar que este blog não está bem a funcionar como eu gostava. O problema é da falta de tempo, claro. Mas a verdade é que raramente tenho tido tempo para escrever. E então, em vez de ser uma colecção de verdadeiros "transplantes de alma" (uma pessoa chegar-se ao teclado e escrever o que vai cá por dentro), tenho-me limitado a fazer uma colecção de coisas interessantes que tenho encontrado. Outros tempos virão... e como tantas vezes me faz falta o tempo para estar junto daqueles que fisicamente estão à minha volta, não posso estar a roubar esse tempo para ficar à frente do computador. Por isso não stresso demasiado!

07/01/06

Criação e Evolução

Seguem as catequeses da diocese de Viena para o ano pastoral de 2005/06, a ser completado à medida que as catequeses forem dadas e traduzidas do alemão para inglês:

Criação e Evolução
No princípio...
Cada coisa de acordo com o seu género
Ele mantém o Universo
Tu governas todas as coisas...
O que é o homem?

04/01/06

Personalismo democrático (Inglês)


Há cerca de 3 anos, quando eu estava em Roma, na Emmanuel School of Mission , um dia tivemos a visita para jantar do Arcebispo de Sidney, que era muito amigo do director da escola.
O arcebispo jantou connosco, e no final do jantar tivemos uma conversa muito interessante na sala de estar entre os alunos e o arcebispo. Lembro-me que estávamos no período exactamente antes de começar a guerra no Iraque, e que eu falei sobre o tema e coloquei várias perguntas. Na altura fazia-me confusão a forma de falar sobre a guerra dos meus colegas americanos, e perguntava-me se o simples facto de sermos cristãos não nos devia ser suficiente para sermos contra todas as guerras. O arcebispo deu-me uma resposta cheia de equilíbrio e de sabedoria, que para mim foi uma lição. Mostrou-me em que é que achava que eu tinha razão, e onde é que eu não estava a ser realista. Entre outras coisas disse que qualquer cristão, para ser minimamente coerente tinha que desejar a paz com todas as forças, mas que nem todas as guerras podiam ser evitadas. Que um país precisava de um exército tal como precisava de uma polícia, e que Cristo sempre foi pacífico, mas não evitou os militares. Nem tão pouco João Baptista, ao falar aos militares, lhes pediu que abandonassem as armas.
Uns meses mais tarde, enquanto ainda estava em Roma, o arcebispo foi nomeado Cardeal.
Por estes dias, encontrei uma proposta muito lúcida para enfrentar a crise da democracia que atravessamos. Vale a pena ler.

http://www.acton.org/publicat/m_and_m/new/article.php?article=7

Como devemos adorar (em Inglês)

http://www.ignatiusinsight.com/features2006/ratzinger_forwdodl_jan06.asp

13/12/05

O advento

O advento tornou-se um tempo estranho e difícil de viver.
Isto porque é um tempo de espera.
E desabituámo-nos de esperar.

Tentamos que tudo seja feito o mais rapidamente possível. Atafulhamos os nossos horários até não existirem tempos de paragem. Às vezes até haver sobreposição de tempos. Chegamos ao cúmulo de nos sentirmos estranhos quando simplesmente temos tempo para parar. As jovens mães já não esperam os bébes, limitam-se a fazer uma interrupção na sua vida frenética quando tem mesmo de ser, umas semanas antes do parto. ... E falar em espera no contexto de namoro é quase sarcástico.

Contudo, algumas coisas têm mais valor quando são esperadas.
Coisas muito variadas, desde as que mencionei acima até à refeição que esteve horas a preparar e encheu a cozinha de um cheirinho delicioso que nos abriu o apetite.
Na ânsia de querer tudo agora e já, receio que tenhamos deixado escapar muito do sabor da vida.

Acusar-me-ão sem dúvida de machismo e de ser reaccionário até ao indefensável, mas estou convencido de que uma das razões desta falta da capacidade de esperar, bem como do frenesim em que o mundo de hoje se transformou, está na falta do elemento feminino. O assunto mereceria um outro blog separado, ou talvez um pequeno livro, mas a verdade é que eu acho que falta feminino no mundo, porque as mulheres se demitiram de o serem.

Não estou aqui a defender a posição de que o lugar da mulher é em casa. Estou a defender a posição muito mais subtil de que o lugar da mulher na sociedade se deve encontrar permitindo às mulheres que permaneçam femininas e que esse permanecerem femininas implica reconhecerem que existe um papel fundamental e valiosíssimo a desempenharem nas famílias que ninguém poderá desempenhar por elas.

Mas aqui talvez o melhor seja calar-me e deixar que sejam elas a falar: encontrei estes dois blogs, que achei virem mesmo a propósito, e que dizem aquilo que eu gostava de dizer muito melhor do que eu seria capaz.

http://www.amodaantiga.blogger.com.br/2005_03_01_archive.html#35703169

http://okiehillgirl.blogspot.com/2005/12/it-aint-snow.html

E para voltarmos a ser capazes desta espera (particularmente nós homens), podíamos seguir o convite feito pelo Papa este domingo:

"Deixemo-nos contagiar pelo silêncio de São José! Faz-nos tanta falta em um mundo com freqüência demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento e a escuta da voz de Deus. Neste tempo de preparação do Natal, cultivemos o recolhimento interior para acolher e custodiar Jesus em nossa vida."